Caso Setúbal na Rede || a entrevista de emprego!

Hoje inicio aqui uma série de três publicações demasiado pessoais, que venho a preparar ao longo de mais de dois anos. Por questões pessoais, irei ocultar os nomes das pessoas envolvidas, bem como alguns detalhes de foro intimo ou judicial. 

Todo o texto foi escrito por mim, com base em documentos oficiais que serviram de prova em tribunal ou em documentos não oficiais que foram reunidos por mim durante o tempo que permaneci naquele órgão de comunicação. Todas as afirmações estão documentadas e comprovadas.


Setúbal foi a cidade escolhida, porque foi lá que realizei o meu estágio de fim-de-curso e longe de toda a criminalidade e dos bairros problemáticos da periferia, sentia-me feliz. O Setubalense acolheu-me de portas abertas e o editor ensinou-me muito, deu-me a oportunidade há muito esperada de crescer pessoal e profissionalmente. No decorrer das reportagens e entrevistas que fiz, as quais tenho guardadas para um dia mais tarde recordar com orgulho, conheci um jornalista do jornal Setúbal na Rede. Conversámos algumas vezes, meros assuntos banais, mas que serviram para eu saber da existência desse meio de comunicação. Na primeira semana de Fevereiro de 2013 deixei Setúbal para trás e regressei a Arraiolos, a minha terra natal. O segundo semestre do ano letivo 2012/2013 estava prestes a começar e faltava-me fazer a disciplina de Métodos e Técnicas de Investigação para obter o certificado de licenciatura. Foi durante esta altura que comecei a enviar o currículo para meios de comunicação social locais e regionais. 

A primeira entrevista de emprego 
9/Setembro/2013 

Tinha tudo para ser o início de uma nova etapa na minha vida, afinal ia à primeira entrevista de trabalho. Os estágios não remunerados ficaram para trás e finalmente havia uma luz ao fundo do túnel. 

Nos emails trocados com o diretor do jornal Setúbal na Rede conseguia ler nas entrelinhas que existia uma hipótese de iniciar um estágio remunerado, financiado a 100% pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional. E foi num desses emails que o Sr. X sugeriu que eu me deslocasse até Setúbal, para ir a uma entrevista presencial. 

Encontrava-me recém-licenciada, desempregada e cheia de sonhos, que me impediram de ver a dura realidade. Sem hesitar, no dia 9 de Setembro de 2013 fui a Setúbal a uma entrevista de emprego que se encontrava marcada para as 15h00. Levava comigo o currículo, os certificados de estágios e formações que tinha realizado e um pequeno papelinho, onde constava o endereço do jornal. Depois de perguntar a duas ou três pessoas se sabiam onde ficava aquela rua, lá encontrei o edifício que procurava. O jornal ficava no primeiro andar da Rua Trabalhadores do Mar, nº16, relativamente perto do famoso Mercado do Livramento. 

Quando toquei à campainha os nervos apoderaram-se de mim, mas aparentava estar calma para responder ao que me perguntassem. A porta abriu-se e na minha frente estava um jovem, o qual pensei ser jornalista naquele meio de comunicação, mas hoje sei que apenas estava lá a realizar um estágio curricular, na área de Gestão de Conteúdos. 

Apressei-me a dizer que tinha uma entrevista marcada com o Sr. X e fui conduzida a uma mesa redonda, onde esperei uns longos cinco minutos pela entrevista agendada. 

Finalmente chegou a hora da tão esperada entrevista. O diretor do jornal Setúbal na Rede sentou-se à minha frente e conversámos um pouco, mas nada que se assemelhe a uma verdadeira entrevista de emprego. Procurei entregar o currículo e os certificados que carregava comigo, mas o Sr. X disse não serem necessários. Por várias vezes perguntei quantas pessoas trabalhavam no jornal, pois na redação estavam vários jovens, nos diversos computadores existentes, mas a resposta foi sempre muito vaga ou nula. Quanto a mim, foi-me perguntado porque tinha escolhido Setúbal? Como conciliava o facto de viver em Arraiolos e trabalhar a 90 quilómetros de casa? E se estava disposta a começar na semana seguinte? As condições que me foram impostas não eram as mais aliciantes, pois ficaria sem ganhar até o Instituto de Emprego e Formação Profissional aprovar o estágio. Legalmente não era funcionária do jornal, mas também não era voluntária, uma vez que não tinha qualquer seguro ou ajuda de custo. Até iniciar o estágio oficialmente, teria que suportar as despesas com habitação, alimentação e transporte, mas estava contratada. 

Finalmente tinha um emprego e a felicidade estava estampada no meu rosto. Telefonei aos meus pais a contar a novidade e eles também ficaram felizes, disponibilizando-se para me ajudarem financeiramente. 

Dias atribulados em época de eleições autárquicas 
16/Setembro/2013 

As eleições autárquicas que tiveram lugar a 29 de Setembro de 2013 fizeram aumentar o fluxo de trabalho no jornal. Este órgão de comunicação promoveu 13 debates autárquicos, nos 13 concelhos que integram o distrito de Setúbal, onde colocou frente a frente os partidos concorrentes às eleições autárquicas. 

Foram três semanas de muito trabalho, em que iniciava a atividade às 10h00 e largava às 18h00, com uma hora de intervalo para almoço. Após este período laboral, voltava a iniciar o trabalho às 20h00, com a viagem para o respetivo concelho onde se iria realizar o debate autárquico e chegava a casa após o término deste. Poderia ser às 23h00 como às 2h00! 

Relembro que todo este tempo de trabalho não foi remunerado e que estava a aguardar que os documentos do Instituto de Emprego e Formação Profissional viessem para iniciar o estágio profissional. 

Mesmo assim, aceitei trabalhar horas extras e dar o meu melhor. Só o debate do concelho de Setúbal não se realizou por incompatibilidade entre os membros dos partidos que compunham as listas, o que levou a que não fosse possível chegar a um acordo. 

Dia 29 de Setembro, um domingo, fui mais cedo para Setúbal. Dirigi-me à redação do jornal para acompanhar o resultado das eleições e telefonar ao cabeça-de-lista do partido vencedor de cada concelho. Um trabalho que, também ele, se prolongou pela noite dentro. Mas estamos a falar de um jornal online, em que todos os minutos e segundos contam. 

O retomar da rotina 
30/Setembro/2013 

Após este período comecei a cumprir um horário das 9h00 às 18h00, com uma hora de almoço e nos dois primeiros meses tudo correu bem.



Não percam, no próximo post, o início do pesadelo!

3 comentários :

  1. Li e fikei curiosa pelo proximo post...
    Ke pelo ke li "inicio do pesadelo" nao deve ser muito agradavel...
    Aguardo o seguinte...

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  2. Li e fiquei muito curiosa. Penso que a tua história se assemelha a algo que também se passou com a minha irmã, infelizmente... É triste aproveitarem-se da fragilidade de uma recém licenciada... enfim...

    Beijinhos
    traveltipsandlifestyle.blogspot.com

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  3. Curiosa por ler o próximo post, infelizmente estas situações acontecem com muita frequência o que não deveria de acontecer não é? Mas infelizmente este é o país e a sociedade em que vivemos e cada vez se vê mais situações destas a acontecer.
    Beijinhos linda <3

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