Erros no SNS, afinal de quem é a culpa?

No passado mês falei-vos sobre a cirurgia que pretendo fazer e a bateria de exames e consultas que se tornou necessário realizar para o procedimento. [aqui]

Já não tenho mais consultas com o cirurgião antes do procedimento e já tive a consulta com a anestesista. Os exames estão todos bem e resta esperar que receba uma carta em casa a dizer qual o dia em que farei o bypass. 

Mas no passado mês chegou aqui a casa uma carta para uma consulta de diabetes, algo que não estranhei, pois tenho os valores um pouco elevados e faço medicação diariamente. Achei que o médico poderia ter pedido a consulta para verificar se estava tudo bem para a cirurgia. Agora o que achei estranho... a carta foi enviada pelo hospital do norte alentejano. Se todo o meu processo está no Hospital de Évora, porque ir a uma consulta ao Hospital de Portalegre? ainda assim pensei que poderia ser por se tratar de uma consulta urgente e a lista em Évora ser mais longa. 

Consulta - Hospital Dr. José Maria Grande - Portalegre 


No dia marcado cheguei à parte das consultas externas e tirei uma senha. Mais de 30 pessoas à frente...ok! Demasiado tempo, mesmo que para o Serviço Nacional de Saúde! Na hora prevista para a consulta, ainda sem fazer o check in, chamaram o meu nome. Aguardei junto ao consultório médico alguns minutos, até uma técnica me chamar e questionar se eu vivia em Arraiolos, ao que respondi afirmativamente. Depois perguntou se eu tinha diabetes e sabia porque tinha ido a Portalegre a uma consulta, ao que respondi negativamente.

E foi ai que percebi... tudo não passou de um erro! A médica chamou-me e explicou que trocaram um número num processo, o que fez com que chamassem a pessoa errada para a consulta. Alguém ficou sem consulta e eu fui a uma consulta que não era para mim. E como estou num processo de cirurgia com inúmeros exames e consultas e o médico fez referencia a um pré-diabetes normal em pessoas com excesso de peso, tornaria-se normal ir a uma consulta de diabetes, ainda que fora da zona de residência. E foram estas coincidências que fizeram com que não duvidasse do erro e questionasse o hospital por telefone sobre a consulta.

Perguntei diretamente se houve um erro da parte deles e a médica disse que sim, que a administrativa enganou-se a digitar o número do processo da outra paciente e basta um  número errado para o sistema assumir outro processo e chamar à consulta outra paciente.

Erros acontecem, mas que implicações têm eles nas nossas vidas?

Houve uma pessoa que estava à espera de uma consulta para a qual nunca chegou a receber carta de marcação; ocorreu um erro que apenas foi detetado 15 dias depois, quando verificaram que a paciente não era a pessoa que esperavam; e por fim estava eu... que percorri 200 km para uma consulta que afinal não existia!

    

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